terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Eba!

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."

Carlos Drummond de Andrade

Enviado pela amiga Bianca Smolarek

sábado, 26 de dezembro de 2009

"aspas"

Um mundo que é capaz de produzir Taj Mahal, William Shakespeare e creme dental listrado não pode ser tão mau.

JAMES CAGNEY em Cupido não tem Bandeira (1961)

Uma hora vai!

Sempre tem aquele filme que todo mundo fala mas você ainda não viu. Pode ser um clássico da década de 50 ou um cult lançado no ano passado. Por algum motivo você não assistiu, mas quer assistir. E foi ontem que, finalmente, vi Bonequinha de Luxo. Sempre torci o nariz para Audrey Hepburn. Mas como fazer isso, se ela está simplesmente perfeita no filme? A película já me arrebatou nos minutos iniciais, quando Holly desce do táxi e come um croissant e toma um café olhando a vitrine da Tiffany, tudo ao som de Moon River, a mais perfeita música feita para o cinema.


Obrigado ao Edson, que me presenteou com o DVD.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Melhor filme do ano








500 Dias com Ela
Rungroj Yongrit/Efe

Turista finlandês solta lanterna de papel na Tailândia, em memória de amigo morto no tsunami de 26 de dezembro de 2004

domingo, 20 de dezembro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

Isso é incrivelmente bonito

Clarice, Clarice


Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou.

Início do livro A Hora da Estrela

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Natal gozado



A abertura do Natal Encantado de Curitiba é uma grande farsa. Uma festa chique e elegante é feita para recepcionar os políticos e socialites, e uma comemoração mequetrefe é feita para entregar os presentes às crianças pobres. Acompanhei de perto os dois primeiros anos disso e sei como funciona.

Para quem não sabe, é assim: um seleto grupo de convidados recebe o convite para a inauguração do Natal Encantado. Cada um deve levar um presente infantil, comprado nas lojas indicadas no convite ($$$). Tem gente que nem o presente leva. No dia da comemoração, os carros fazem fila na entrada da frente do castelo. A peruada toda compra presente de vintão e veste roupa de quatro zeros. Chegando lá, ficam esperando o prefeito, primeira-dama, secretário de turismo, dono não sei do que, fornecedor não sei de onde e tal. Então tem champagne, salgadinho, docinho e a chegada do Noel. A decoração é muito chique. São lustres dourados, velas enormes, muitas flores vermelhas e tapetes caros. Mesas de doces que mais parecem quadros pintados. Flashes, flashes, flashes. Uns dizem que existe verba para fazer a festa, mas quem produz diz que é tudo doado (???).

Aproximadamente 20 dias depois é a vez dos pobrinhos receberem os presentes. Então, os ônibus da prefeitura despacham as crianças pela entrada dos fundos do castelo. Elas chegam aos montes. Lá, recebem um cachorro quente amassado, um copo de refrigerante sem gás e um picolé. A pomposa decoração natalina sumiu e apenas o que fica é a poltrona do Noel. As ajudantes dele são, claro, as madames. Enquanto as crianças fazem fila para receber o presente, elas se arrumam e se ajeitam, para saírem bem nas fotos. Assim que ganham o presente, as crianças já são encaminhadas diretamente para dentro dos ônibus e voltam para a escola municipal onde estudam.

Em uma ocasião, presenciei uma cena que sempre lembro nessa época do ano. Após a entrega dos presentes, restaram aproximadamente 50 pacotes que seriam recolhidos pela prefeitura para serem distribuídos em alguma escola ou sei lá onde. Nesse momento, uma colunista social e uma empresária, que participavam da entrega, escolheram presentes para entregar aos netos. Cada uma saiu com dois pacotes na mão. Isso ninguém me contou, eu mesmo vi.

Infelizmente, em Curitiba, as pessoas acham essa festa bonita. No dia da abertura, as pessoas que não podem entrar ficam do lado de fora, para ver o show de fogos. A imprensa em peso vai lá, pra tirar foto e publicar. No ano que vem, o povo deveria atirar ovos nos carros que entrarem nessa festa. E a imprensa? Deveria fazer fotos dos ovos, e não dos galos e galinhas, como todos os anos faz.

O último grande herói


Eu já tive vontade de "entrar" em diversos filmes. Queria ser um jedi e pilotar as incríveis naves de Guerra nas Estrelas, ser o John Connor em O Exterminador do Futuro II, queria enterrar o periquito que tive no Cemitério Maldito, consolar a Meryl Streep na hora que ela está na cozinha e chega um antigo amigo em As Horas, queria ser o Tom Hanson em 500 Dias com Ela, ter poderes de voar e mover objetos em X-Men, ser vizinho de Bette Davis em O Que Terá Acontecido com Baby Jane e ajudar a Margo em A Malvada. A lista é imensa. Ontem esse sentimento voltou e foi o mais forte que já tive. Avatar é incrível. Viver em um mundo daquele seria incrível. Não pelo fato de existirem habitantes azuis de três metros, mas sim pela conexão que os seres têm com a natureza e os animais. A minha cena predileta é a hora que o cara mata um animal e fala umas coisas (que não falarei para estragar a surpresa). É algo simples, natural. O filme me ganhou naquela cena. Um beijo, tchau!

(o fato do chão brilhar no escuro também contou muitos pontos)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Processo de criação


Ainda não é a peça pronta, mas quem quiser ver, está convidado.

?


Estou curioso pra ver esse filme. Até porque eu era fã da série. Mas esse cartaz me assustou. Carrie terá virado uma X-Men? O cartaz parece uma continuação do This is it, do Michael. Vamos ver!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

alteração

Não me sinto perdido.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Dentro de um minuto estaremos no Galeão


Passei a adolescência toda odiando o Rio de Janeiro. Achava que a cidade era super perigosa e jamais iria até lá. Também não gostava do fato de quase todas as novelas serem gravadas lá. Além disso, a TV Globo só falava do Rio e dizia ser uma cidade incrível, a melhor do mundo. Achava isso ridículo. E o resto do Brasil, cadê?

Pois bastou passar um dia inteirinho na praia de Ipanema para mudar de ideia. Fiquei exatamente no término ou começo da Rua Vinícius de Moraes. A areia gostosa, as pessoas lindas, os vendedores com os pacotes de biscoito Globo, os sacolés, as cadeiras de praia alugadas, o sol fritando, a calçada branca e preta, os quiosques, o clima, o ar, a vida. O Rio foi feito pra mim!

Samba do Avião

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão

Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Aterrar...


Antonio Carlos Jobim

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Essa é uma daquelas cenas

É o fim de uma era

Só tenho uma dúvida: quem vai anunciar os números da Tele-Sena?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"aspas"


Você não precisa de provas quando tem instinto.

Lawrence Tierney para Harvey Keitel em Cães de Aluguel (1992)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lançamento em breve

SINA-LAGMA


Maria das horas, uma menina franzina de cabelos cacheados e vermelhos como o fogo sorriu pra mim, iluminando a face do dia. Em seu sorriso, vi esperança, compaixão, fé e alegria. Festejada pelas horas que dançavam livres ao seu redor, estendeu a mão pequenina e disse:
- Vê isso?
- Isso o que?
- Isso aqui, na palma da minha mão!
- São sementes?
- Sim, e são sementes especiais!
- Especiais...como?
Um sopro apenas e então... Surgiram todos os girassóis!

Do livro “Descompasso”, de Eliana Schuster

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Tarefa


Amanhã serei o Magneto. Minha primeira missão na Terra será fazer isso na Visconde de Guarapuava, no horário de pico.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A Princesa e o Robô



"Num distante planeta em forma de cenoura, robôs e coelhos vivem lado a lado tranquilamente. Até que um raio misterioso, vindo de uma distante estrela, atinge um robozinho e o torna apaixonado pela princesinha do reino, a doce Mimi. Mas um vilão terrível irá tentar atrapalhar o romance e a Turma da Mônica entra em cena, para ajudar os dois namoradinhos, aprontando mil peripécias pelo espaço."

Foi o desenho que eu mais vi até hoje. Tem o filme completo no You Tube. É o segundo da série Turma da Mônica, feito em 1983.

Encomenda







Se a moda é ter Barbie de artista, quero que façam da Meryl Streep, Lady Gaga, Whoopi Goldberg, Jessica Tandy, Lilia Cabral, Vera Verão, Tina Turner e do Morrisey. Da Bette Davis já existe mas custa R$ 400, então não rola.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Novo Homem

O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objecto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como for
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
Nove meses, eu?
Nem nove minutos.
Quem já concebeu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.
Nele, tudo exacto,
medido, bem posto:
o justo formato,
o standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afecto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio,
e, per omnia secula,
livre, papagaio, sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.

Carlos Drummond de Andrade, in
'Versiprosa'

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

"aspas"


Posso ficar com a caneta?

Whoopi Goldberg, em Ghost (1990)

...se é que há

Queria arrancar todos os dentes da minha boca, e a boca.
Queria arrancar todas as unhas dos meus dedos, e os dedos.
Queria arrancar todo pelo da minha pele, e a pele.
Queria arrancar a glande do meu pênis, e o pênis.
Queria rasgar minha carne, retirar meus órgãos, revirar minhas entranhas.

Eu não sou unha, não sou boca, não sou dente, não sou osso, não sou pele, não sou pelo. Não sou rim, não sou bulbo, não sou pé, não sou cabeça.

Queria cavar o orifício dos olhos, e arrancá-los
Queria cavar a vulva e os grande lábios, e arrancá-los.
Queria cavar um buraco no meu crânio, e deixá-lo respirar.
Queria cavar, cavar, até os ossos.

Eu não sou crânio, nem ar, não sou ossos e nem a pá, eu não sou olhos eu não sou vulva, não sou lábio e nem sou grande.

Queria raspar meus ossos e ver pó.
Queria ser pó e voar...
Queria ser nada
Queria ser tudo
Ser amor e absurdo.

Eu não sou pó nem sei voar, eu sou um corpo, um absurdo, eu quero amor se é que há.

Escrito pelo amigo Fabiano Giordani

domingo, 15 de novembro de 2009

O Tempo da Vida

A sombra do capitólio anuncia a hora
Do sol poente sobre a rotina mecânica.
Passantes, trabalhadores, pedintes, sombras de árvores.
A praça está cheia de vida latejante.
Ela pulsa, pedindo uma chance,
Afogada no lamento das horas e dos pensamentos.
Ela passa, pedindo o pão,
Que ainda se dá por graça e benevolência.
Ela vai, esperando o açoite
Da criança morta por negligência.
A ampulheta lhe oprime e não lhe redime.
E a vida que era para ser vivida se esconde atrás da retina
Dos olhos que pensam que vêem e que vivem.

Escrito pela amiga Ticiana Vasconcelos Silva.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"aspas"


_ Algum dia vai ficar mais fácil?
_ Não. Mas você se acostuma.

Diálogo do primeiro episódio do seriado "The Good Wife". Toda segunda, 22 horas, no Universal Channel.

domingo, 8 de novembro de 2009

"aspas"


Ninguém pode ser tão feliz sem ser punido.

Greta Garbo em Nitotchka (1939)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"aspas"

...pois há momentos em que a pessoa está precisando de uma pequena mortezinha e sem nem ao menos saber.

A Hora da Estrela, Clarice Linspector

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

sábado, 24 de outubro de 2009

aspas


As pessoas feridas são perigosas. Sabem que podem sobreviver.

Juliette Binoche para Jeremy Irons em Perdas e Danos

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Alborghetti

Também aprendemos com ele. Veja o que irei falar cada vez que alguém me perturbar: XXXXXXXXX (clica)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009